5 de mai. de 2011

Das saudades daquele anjo sem asas...

                                                                               Ele caiu...
Um anjo que perdera suas asas num vácuo profundo de desilusão.
Caiu dos céus e veio parar em minhas mãos.
Um anjo caído, com suas asas quebradas, me ensinou a amar.
E por esse amor eu lhe fiz jus toda minha dedicação.
Então um dia, quando suas asas se recuperaram, ele partiu...



(...levando consigo meu coração.)

Lucas A. L. Paula

2 de mai. de 2011

Reflexos Inflexos de um Ser Fragmentado



E sentado no divã pude ouvir a voz serena dizer:

"- Perdes-te teu reflexo. Teu espelho quebrou. Onde está você?"

Eu poderia então cerrar as pálpebras e procurar-me dentro de minha escuridão o lugar onde o meu 'eu' se escondeu.
Mas está tão escuro. Esta frio, escorregadio. 
O chão onde piso não é feito de concreto ou terra batida.
Não possui gramado, nem piso ladrilhado.
Apenas uma fina camada de gelo.
Que me faz ter medo de seguir além.

E seu cair? E se pisar forte demais? E se esse gelo se quebrar e eu afundar nestas águas gélidas e negras?
Saberei eu nadar de volta à superfície?

Onde estou?
Por que estou aqui?
O que faço neste lugar?
Quem sou eu?
Como me reencontrar?
 
No teu amor? Ou no meu desespero?
Nos meus pensamentos? Ou em nossos lamentos?
Naquele passado que assombra o sol desta manhã? Ou nestas nuvens escuras de chuvas que anunciam a tempestade de amanhã?

Já não mais posso cerrar os olhos para caminhar nesta escuridão. 
Sei que sozinho não serei uma chama forte o suficiente para iluminar este caminho e fazer todo esse gelo anímico se esvaecer. 
Mas ainda resiste o medo de abrir os olhos e não enxergar nenhum clarão.

-"Sê forte!"  A voz serena do outro lado da sala me diz.

Só que com minha expressão essa oração não condiz.

Mas a sessão acabou.
Assim como os conselhos... Como as frases que um dia me fizeram soerguer.
Só restaram fragmentos.
Pedaços pulverizados do que antes era o meu 'ser'.

Lucas A. L. Paula


1 de mai. de 2011

'imcomplete'

Espaços vazio preenchem meu ser...
Enlouquecem-me
Inundam-me
Dissimulam-me
Fazem-me me perder.


Espaços vazios da mente, da alma, do coração...
Vácuo profundo de sentimentos na contra mão.


Ecoa
Como um grito lançado do topo da montanha
E voa
Voa para além do que posso ver
Voa e leva tudo o que restou do meu ser
Deixando apenas espaços vazios
Que hoje me fazem pensar
Se um dia, quando mais tarde me procures
Poderei me recompletar.


Lucas  A. L. Paula

29 de abr. de 2011

"Voem! Viajem com o vento para os quatro cantos deste Universo... E quando caírem em solo fértil, germinem e façam meu desejos nascerem!"

...o que seriam de nós poetas, eternas almas descritas em palavra e emoção, se não tivéssemos a doce e cinza melancolia que nos faz criar?!...

de todos, eu.

Dos teus olhos azuis
Da imensidão deste céu
Da profundeza deste oceano
Da ferocidade deste mar...


Destas estrelas, destes poemas, destas palavras, deste pensar.




De vidas passadas
De momentos a se lembrar
De pétalas efêmeras
De um sorriso a se fechar


Deste abraço, deste beijo sutil
Daquela despedida, do segundo que fugiu


Das pessoas
Das multidões
Das muvucas inversas
De todas as confusões


Dele
Dela
Até mesmo de você


De todos, o um
De todos, eu mesmo, à mercê...


Lucas A. L. Paula

Was blue'



Acordou suave.
Tão quanto a brisa que anunciava a calmaria que rasga o céu após a tempestade.
Acordou com brilho no olhar.
Sabia que o Sol novamente iria brilhar.
Acordou azul-celestial.
Furta cor em sorrisos,
Lápis-lazúli  em seu emocional...
Aquele seria seu dia.
Seria seu jogo, sua partida.
Jogaria consigo mesmo o jogo da vida.
E partiria em busca de seu objetivo final.
Lavou-se,
Vestiu-se,
Foi-se.


...foi-se.


E não mais voltou.
Naquele dia, ele havia passado para uma outra fase deste tabuleiro no qual avançamos ou retrocedemos dia após dia.
Foi-se....
Disputar partidas num tabuleiro azul coberto de nuvens e estrelas.

Lucas A. L. Paula

28 de abr. de 2011

Canção de ninar

Vem!
Vem porque sinto tua presença...
Sinto sua suave respiração em minhas costas
Ouço tua voz sussurrando ao vento.


Vem!
Vem porque já sei que o momento não é só meu...


Vem!
Porque a chuva que agora cai
derrama não lágrimas,
mas gotas de orvalho para nos abençoar.


Vem!
Vem com todo seu esplendor
Vem e me mostra teu amor.


Isso!
Mostre-me, ame-me , faça-me sentir-se assim.


E deixe o mundo girar...
E deixe as coisas flutuarem...
E deixe tudo.


Só não deixe nosso amor fugir.


Vem!
Vem que te mostro o caminho a seguir...
Vem!
Vem que faço você sorrir...
Vem!
Vem para que eu possa te beijar
e mais tarde em meus braços singelos
colocar-te para sonhar!


Lucas A. L. Paula

23 de abr. de 2011

Pathway

Ah, triste sina do ator poeta
Que sorri mesmo na hora incerta
Que ri quando o mundo está a terminar
Que demonstra alegria quando prostram-se a chorar.


Mas esta é a vida do ator,
Chorar quando deve-se rir
Sorrir quando sente-se dor


Pois esta é a sina de quem escolheu poetizar
Viver de versos alheios
De sentimentos esguios
Que dos vales descem rios
Quando as palavras nos fazem lacrimejar.

Lucas Paula

Soneto das lágrimas caídas

Por que as lágrimas são salgadas
Se a tristeza tem sabor de amargura?
Por que não poderiam ser também doces,
Se alegria tem cheiro de açúcar?


Por que as pessoas nos fazem chorar?
Pela perda, consequêcia ou pela ação, dependência?
Pelo medo, pelo amar...
...pelas promessas efêmeras que dissolvem-se no ar?!


Ah, são cristais líquidos que escorrem sem pensar
São águas selvagens que fogem desse imenso mar
São traços imperfeitos em faces silenciadas pelo soluçar.


Ah, lágrimas caídas no solo, na mão
Ah, reflexos puros de nossa emoção
Ah, tradução anímica, coronária expressão.


Lucas Paula