15 de jul. de 2011

Sonhos numa folha de papel

Uma folha branca de papel...
Nela, escrito à lápis, colorido por tintas e giz de cera, estão meus sonhos.
Hora borrados, hora infundados...
Mas na maioria das vezes rebuscados, detalhados, retificados em desenhos abstratos.
Decidi pelo papel porque posso dobrá-lo, recortá-lo, rasgá-lo...
E o posso reciclar...
Fazer daqueles sonhos antigos um novo ideal...
Fazer das cinzas tinta nova para meu arsenal...
Meu arsenal de esperanças, de forças, de idéias principais
Reescrever estes sonhos que de tão utópicos tornam-se reais.

11 de jul. de 2011

A Cor da Rosa





Está rachado.
Pela abertura feita escorrem os sorrisos...
Olhou-se para a falha alheia, na vã tentativa de justificar suas próprias falhas.
Viu seu julgamento perecer em idéias falsas, em conclusões incorretas.
O que já estava organizado tornou-se caótico.
Os livros que estavam alinhados na prateleira foram roídos pelas traças... E nas páginas coloridas fez-se habitat de buracos e cores desbotadas.
As músicas ganharam notas de melancolia.
CDs riscados, DVDs pirateados...
Pirateados por cenas lacrimosas.
Um filme em degradés de preto e branco.
Nenhuma comédia dionisíaca...
Apenas a máscara triste dos palcos que são os altares dos poetas mortos.
O vazio é preenchido pelo nada...
E tornar-se mais vazio ainda.
Na busca pelas explicações encontra-se apenas a indizível questão imaterial.
São os mesmos reflexos inflexos deste ser fragmentado.
Fragmentado pela impulsividade 
Fragmentado pelo exagero
O mesmo exagero que leva à intensificação da alegria...
Assim como da tristeza... Só que a dor parece ser mais marcante.
Choro porque preciso chorar.
Em cada lágrima está a "inconclusão" dos fatos
Em cada lágrima está um fragmento desta alma perdida nas indecisões.
Das sementes que se plantaram, brotaram espinhos...
Mas é sábio que os espinhos protegem as flores mais belas.
É sempre assim, essa é a perfeição da natureza.
Se há espinho, então há a beleza da rosa.
Talvez a rosas sejam vermelhas porque foram tingidas com o sangue de quem escalou (e venceu) todos os espinhos para apreciar o perfume da flor.

Lucas A. L. Paula  -  num desses momentos em que escrever é o mesmo que chorar em silêncio

8 de jul. de 2011

A utopia da felicidade

Não significa que perdi a fé...
Às vezes é tudo apenas uma crise, uma falha no sistema de crenças.
Uma quimera, um devaneio, um sonho
Que foi coberto por brumas
A felicidade tornou-se utópica
Ou quem sabe, melhor dizendo, platônica
Não. Utópica mesmo.
De tão abstrata, dissipa-se no vento.
No leve sopro.
Na sutil expiração.
Torna-se uma utopia o acreditar.
Podem até dizer que a felicidade está dentro de nós mesmos...
Mas não adianta, sempre precisamos de algo exterior para despertá-la.
Por vezes, é melhor fechar os olhos.
Por vezes, mesmo diante as falhar da criação
Mantemos acesa a chama da nossa fé.
É ela que nos mantém aqui, agora.

5 de jul. de 2011

Palavras ao vento



Há três tipos de palavras, sejam elas escritas ou faladas:
- As da mente,
- As da alma,
- As do coração.


As primeiras são meticulosamente organizadas em suas gramáticas. Em suas perfeitas coesões elas nos levam a um entendimento rápido, porém vago.
As segundas são complexas, filosóficas. Não possuem a gramática correta, mas possuem a sinceridade. Expressam não só o que elá lá, dizem acima de tudo o que está cá.
As últimas não conhecem ortografia, sintaxe. Não se preocupam com as regras de acentuação, pontuação. A semântica é metafórica, a coesão é simplificada em sentimentos. Mas seriam os sentimentos coesos? 
Bem, são sinceros. Assim como as palavras do coração.
Não mentem como as primeiras, não filosofam como as segundas. Apenas são o que são. Apenas dizem o que querem dizer.
As palavras do coração muitas vezes são acompanhadas de lágrimas.
Destes cristais solúveis que aparecem quando a palavra é lançada do coração ao vento.
Ao vento que tanto pode dissolvê-las como entregá-las a quem se deseja fazer escutar.
Mas continuam sendo sinceras.
As palavras do coração são complexas de tão simples.
Porque quando o coração diz você não precisa - nem deve - pensar e filosofar sobre elas. Apenas sentir... Apenas viver cada uma delas.
Este é o segredo do coração.
Ele não se perde nas contradições do pensamento nem na lógica de Platão.
O sentimento é.
O coração é.
E por ser, deve ser como tal, vivido... Em suas máximas.
Quem fala apenas pela mente pode enganar.
Quem fala apenas pela alma pode ludibriar.
Mas quem fala com o coração pode viver, pode amar...

Lucas A. L. Paula

4 de jul. de 2011

...e assim, após cair, erguer-se novamente.

Forças...
De onde tirá-las quando o chão parece não mais existir?
De onde retirar a energia necessária para recolocar-se de pé nos momentos onde as cordas do balanço arrebentaram e o solo fez-se teu limite?
Olha e vê que não há mais nada para baixo....
Não vê porque está escuro.
Abismos são sempre assim, escuros.


C
a
i
n
d
o

Era uma tarde fria de inverno...
Sempre são tardes frias de inverno em sua alma.
A neve caia lentamente.
O menino correu alegre pelo jardim, brincando com os flocos brancos que tocavam sua face.
Caiu, riu, levantou.
E voltou a correr pelo jardim até o parque isolado.
Soprou a neve que cobria o balanço, sentou e impulsionou-o com pés.
Ria...
Ria alto.
Tão alto quanto o balanço à se movimentar.
Ria e mexia ritmadamente o pequeno corpo para impulsionar o brinquedo.
Não havia mais tardes frias...
Não havia neve...
Não havia dever de casa...
Não havia quarto para arrumar...
Havia apenas aquele sorriso singelo que brilhava tanto quanto a neve no chão.
E num estrondo o riso cessou.
As cordas, congeladas pelo tempo, romperam-se e a inércia desconhecida pela criança lançou-a ao chão.
A neve já não era tão branca.
As pernas haviam sido quebradas pelo o impacto.
Ele chorava, gritava, implorava por ajuda.
Mas o parque estava vazio.
A rua estava vazia. 
No vazio de sua dor, fechou os olhos e rezou:
"Papai do céu, se não puder devolver minhas pernas, por favor, devolva meu sorriso."



Lucas A. L. Paula

12 de jun. de 2011

Tem uma lágrima

"Tem uma lágrima no canto do meu olhar. 
Uma lágrima que reflete teu sorriso.
Uma lágrima que me faz cantar.
Tem uma lágrima escorrendo por entre os lábios.
Ela reflete teu beijo.
Ela me lembra teu abraço.
Tem uma lágrima.
Que não posso distinguir.
Porque sorrisos e choros são fáceis de se confundir."



Lucas A. L. Paula

11 de jun. de 2011

Tua, não minha

''Então eu diria que sua imperfeição é meu excesso. Que sua indecisão é meu pretexto para ficar.
Eu diria que tudo estaria ao avesso.
Gosto do avesso
Do indireto.
Dessa força imperfeita por sua extrema perfeição.
Gosto deste erro correto que me faz ser o reflexo único e imparcial da contrariedade lógica desta manifestação anímica e somática."


Lucas Antonio de Lima Paula

5 de jun. de 2011


‎"Você está morto em vida a partir do momento que por medo você deixa de correr os riscos da incerteza para segurar-se nas comodidades de sua ilusão." - Lucas Paula



Aos pulos



Meu coração está aos pulos.
Está no escuro de minhas mãos fechadas.
Aberto, pingando.


Meu coração está em apuros.
Está no desfiladeiro das imprevisões.
Suspenso, pingando.


Meu coração está aos sussurros.
Está no corredor longínquo das quimeras 
Sentado, pingando.


Meu coração está de olhos cerrados.
De boca costurada.
De mãos algemadas.
Coroado 
Facetado
Remoldado


Meu coração está aos pulos
Pulsante
Vibrante
Incandescente


Está pingando...
Estamos pingando.
Eu, você, nós.

Porque o que antes era gelo, agora vira água e segue o fluxo das certezas que esperam no escuro.


Lucas Antonio de Lima Paula









2 de jun. de 2011

Nêmesis

Acordou em suspensão.
Sonolência profunda,
O coração nas mãos.
A mente vagava por estágios não decifrados.
Um par de olhos azulados deixavam um ar misterioso nos pensamentos diários.
Levantou, tomou seu banho habitual.
Respirou; profundamente...
Por vezes as lágrimas confundiam-se com a água que caía quente em seu rosto.
Ouviu silenciosamente uma melodia triste, pausada, que o fazia percorrer lembranças profundas...
Num impulso, o qual já estava acostumado, entregou-se ao refrão em tons roucos que preenchiam  vazio de sua alma.
Uma alma já fragmentada.
O refrão durou minutos e a frase final ecoava... ecoava... ecoava...
"Estou tão cansado de ficar aqui, suprimido pelos meus próprios medos."
Olhou-se no espelho. Seus olhos esverdeados fizeram-o  lembrar daquele par azulado que ainda era seu mistério.
Um encontro de almas.
Um reencontro.
Um recomeço.
Tudo ao avesso, mas na esperança paciente e feliz de se acertar.
Voltou para os minutos atuais e contemplou a imagem refletida.
Já não possuía os quilos que juntara na infância na vã tentativa de se proteger.
Hoje havia um homem refletido naquele espelho úmido.
Seu corpo definia-se em traços marcantes e firmes.
Uma ave lendária abrasava o peito nu.
Estava feliz.
Finalmente encontrara seu caminho, seu bem estar.
Era um homem, mas seu coração ainda era de um menino fragilizado por seus impulsos.
Então não havia mais o azul misterioso nem o verde esperançoso. Havia uma fusão, uma cor nova, diferente, bela.
Transportou-se para uma dimensão paralela, para um rio, um caminho.
Quando?
Quê?
Onde?
Por que?
Questões tão simples e ao mesmo tempo complexas.

Setembro, 23, 2007
Chamas crepitam em meio à mata fechada. Orações antigas são proclamadas aos pontos cardeais.
Houve um chamado, um pedido, uma intenção.

Junho, 02, 2011
E frente ao espelho, fechou os olhos e fez uma prece:
"Senhor, se a criação vem em dores de parto, então que possamos ter paciência, força e persistência para suportarmos essas dores enquanto esperamos o bem maior nascer. E, se devemos caminhar em direção do nosso maior temor porque ali está nossa única esperança, então que possamos sempre ter fé para nunca nos faltar a esperança."



Lucas Antonio de Lima Paula